MICROBIOTA INTESTINAL COMO FATOR MODULADOR NO DESENVOLVIMENTO E PROGRESSÃO DA DOENÇA DE PARKINSON: UMA REVISÃO INTEGRATIVA
Dados do documento
Resumo
Objetivo: Evidenciar a relação entre disbiose intestinal e acúmulo de α-sinucleína no plexo mioentérico no desenvolvimento e progressão da Doença de Parkinson (DP). Métodos: Trata-se de uma revisão integrativa exploratória, descritiva e qualitativa, estruturada pela estratégia PICo. A busca foi realizada nas bases PubMed e ScienceDirect, incluindo artigos dos últimos dez anos, em português ou inglês, que abordassem disbiose intestinal, α-sinucleína, plexo mioentérico e DP. Os estudos foram organizados em quatro eixos: relação disbiose e α-sinucleína, neuroinflamação, papel do plexo mioentérico na progressão da doença e intervenções moduladoras da microbiota. Resultados: A disbiose intestinal pode representar o evento inicial da DP, favorecendo o acúmulo precoce de α-sinucleína no sistema nervoso entérico (SNE). A redução de bactérias produtoras de ácidos graxos de cadeia curta e o aumento de espécies pró-inflamatórias comprometem a barreira intestinal e desencadeiam neuroinflamação, configurando possível mecanismo causal e biomarcador precoce. Além disso, alguns estudos indicam que intervenções como o transplante de microbiota fecal podem modular a composição microbiana e atenuar alterações do SNE associadas à progressão da doença. Considerações finais: A DP configura condição sistêmica e neuroimune resultante da interação entre disbiose, inflamação e ativação entérica, destacando o eixo microbiota-intestino-cérebro como alvo promissor para terapias modificadoras.