MODULAÇÃO DA NEUROPLASTICIDADE PELOS ANTIDEPRESSIVOS E OS IMPACTOS NO TRATAMENTO PSIQUIÁTRICO EM ADULTOS: REVISÃO INTEGRATIVA
Dados do documento
Resumo
Introdução: A neuroplasticidade cerebral é a habilidade do sistema nervoso central de reestruturar conexões sinápticas, alterar circuitos neurais e realizar adaptações funcionais em resposta a estímulos do ambiente, vivências e tratamentos terapêuticos. Alterações neuroplásticas no hipocampo, córtex pré-frontal e amígdala, tanto em aumento quanto em diminuição, têm sido relacionadas à fisiopatologia da doença nos transtornos psiquiátricos. Nesse contexto, os antidepressivos passaram a ser explorados não apenas como moduladores monoaminérgicos, mas também como agentes que impulsionam reorganização neural via ativação de vias neurotróficas, neurogênese e remodelação sináptica. Objetivo: Analisar, por meio de uma revisão integrativa da literatura, os efeitos dos antidepressivos sobre a neuroplasticidade e suas implicações para o tratamento psiquiátrico em adultos. Metodologia: Foi conduzida uma revisão integrativa da literatura nas bases MEDLINE via PubMed®, BVS, LILACS, PsycINFO, Cochrane Library e PubMed Central (PMC), com publicações entre 2015 e 2025. Foram selecionados estudos originais, revisões sistemáticas e pesquisas observacionais que tratam da modulação da neuroplasticidade por meio de antidepressivos em adultos com transtornos psiquiátricos. A seleção dos estudos seguiu as diretrizes do PRISMA e a formulação da pergunta norteadora foi feita com base na estratégia PICOS. Resultados: No total, foram encontrados 330 estudos relevantes em uma primeira triagem, além de 13 outros por meio de Snowballing, somando ao total 343 estudos. Depois de eliminar duplicatas e realizar uma triagem e análise de elegibilidade, 9 estudos formaram a síntese qualitativa final. Os resultados mostraram que os antidepressivos, especialmente os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), levam ao aumento da expressão de BDNF, à reorganização de circuitos corticolímbicos, à neurogênese no hipocampo e à modulação de mecanismos sinápticos relacionados à plasticidade cerebral. Conclusão: Conclui-se que os antidepressivos estão associados aos efeitos terapêuticos por mecanismos que transcendem a modulação imediata de neurotransmissores, envolvendo processos complexos de reorganização estrutural e funcional do cérebro adulto. A neuroplasticidade configura-se como um dos principais mecanismos relacionados à resposta terapêutica e à recuperação funcional em transtornos psiquiátricos, reforçando a importância de abordagens terapêuticas integradas e individualizadas.