MONITORAMENTO DE SARS-COV-2 E VARIANTES VIRAIS EM ÁGUAS RESIDUAIS DA SUB-BACIA DO CANAL DO CUNHA, RIO DE JANEIRO: UM MODELO DE VIGILÂNCIA AMBIENTAL EM TERRITÓRIOS COM ALTA CONCENTRAÇÃO DE AGLOMERADOS SUBNORMAIS E SANEAMENTO PRECÁRIO
Dados do documento
Resumo
A epidemiologia baseada em esgoto constitui uma abordagem populacional, estratégica como sistema de alerta para o aumento da incidência da COVID-19. Entretanto, ainda há desafios em sua adoção no contexto da vigilância em saúde, especialmente nos territórios sem sistema de esgotamento sanitário. O presente estudo objetiva o monitoramento de SARS-CoV-2 (SC2) em águas residuais da Sub-Bacia do Canal do Cunha (SBCC), RJ - área com o maior número de aglomerados subnormais do município. Trata-se de estudo transversal, compreendendo 6 pontos da SBCC (N=228), coletadas de agosto de 2020 a fevereiro de 2023. A concentração viral foi realizada por filtração em membrana eletronegativa, seguida de extração direta (kit AllPrep Power Viral DNA/RNA, Qiagen). O SC2 (N1) e a inferência de Variantes de Preocupação (VOCs) foram determinados por RT-PCR em tempo real utilizando kits produzidos por Bio-manguinhos. O RNA viral foi detectado em 76.0% das amostras ambientais, compatível com o cenário epidemiológico. Nos territórios estudados, o aumento da concentração viral em amostras ambientais sistematicamente precedeu em 1-2 semanas o aumento na incidência de casos de COVID-19, bem como a introdução de novas VOCs. Os achados evidenciam que, nas áreas com saneamento precário ou ausente, o monitoramento de SC2 em rios poluídos consiste em estratégia viável para a vigilância. Ainda, os achados em tela reiteram a relevância da vigilância ambiental enquanto sistema de alerta precoce, contribuindo para com a orientação de ações voltadas ao enfrentamento de surtos e epidemias.