TCC2026

MORTALIDADE POR ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL NA REGIÃO NORDESTE DO BRASIL: ANÁLISE ESPACIAL E DISTRIBUIÇÃO TEMPORAL

Dados do documento

Autor(es)
João Gabriel Vieira Santos; Kelly Caroline Rodrigues de Sena; Letycia de Souza Figueiredo
Orientador(es)
Ana Raquel Batista de Carvalho
Tipo do documento
TCC
Ano de publicação
2026
Data de publicação
08 de setembro de 2026
Nome do curso
Medicina
Nome da Unidade
Afya Teresina
Palavras-chave
Acidente vascular cerebral. Mortalidade. Análise espacial. Série temporal. Saúde pública. Nordeste brasileiro.

Resumo

Introdução O AVC é uma causa de morte e incapacidade, influenciada por desigualdades regionais e dificuldades no acesso à saúde, especialmente no Nordeste brasileiro.Objetivo: Analisar a distribuição espaço-temporal da morbimortalidade por Acidente Vascular Cerebral (AVC) no Nordeste brasileiro, segundo indicadores demográficos e socioeconômicos,nós anos de 2010 a 2024.Métodos: Trata-se de um estudo ecológico, analítico e de base populacional, realizado com dados secundários obtidos do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/DATASUS). Foram incluídos os óbitos por AVC classificados pelos códigos I60 a I64 da CID-10. As taxas de mortalidade foram calculadas por 100 mil habitantes e analisadas por meio de regressão Joinpoint para avaliação da tendência temporal. A análise espacial incluiu construção de mapas coropléticos, suavização bayesiana empírica global e análise de autocorrelação espacial pelo Índice de Moran Global e Local (LISA).Resultados: Entre 2010 e 2024, foram registrados 285.857 óbitos por AVC na Região Nordeste. Observou-se predominância em indivíduos com idade ≥70 anos (63,06%), do sexo masculino (50,28%), de cor/raça parda (60,42%) e com ocorrência hospitalar (69,88%). O subtipo mais frequente foi o AVC não especificado (68,30%). A Região Nordeste apresentou tendência global de redução da mortalidade por AVC (AAPC = -1,0%; IC95%: -1,5 a -0,5). Maranhão, Piauí, Ceará e Alagoas apresentaram declínio significativo das taxas ao longo da série histórica, enquanto Bahia e Rio Grande do Norte mantiveram comportamento estacionário. A análise espacial evidenciou persistência de clusters Alto-Alto em municípios do interior e do semiárido nordestino, indicando manutenção de desigualdades territoriais relacionadas ao acesso aos serviços especializados e às condições socioeconômicas.Conclusão: Apesar da redução global da mortalidade por AVC no Nordeste brasileiro, persistem importantes desigualdades regionais, com manutenção de áreas de maior risco em municípios interiorizados e socialmente vulneráveis. Os achados reforçam a necessidade de fortalecimento da Atenção Primária à Saúde, ampliação do acesso ao diagnóstico e tratamento oportunos e fortalecimento da regionalização da assistência cerebrovascular, visando à redução das desigualdades e à promoção da equidade em saúde.