MORTALIDADE POR ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL NA REGIÃO NORDESTE DO BRASIL: ANÁLISE ESPACIAL E DISTRIBUIÇÃO TEMPORAL
Dados do documento
Resumo
Introdução O AVC é uma causa de morte e incapacidade, influenciada por desigualdades regionais e dificuldades no acesso à saúde, especialmente no Nordeste brasileiro.Objetivo: Analisar a distribuição espaço-temporal da morbimortalidade por Acidente Vascular Cerebral (AVC) no Nordeste brasileiro, segundo indicadores demográficos e socioeconômicos,nós anos de 2010 a 2024.Métodos: Trata-se de um estudo ecológico, analítico e de base populacional, realizado com dados secundários obtidos do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/DATASUS). Foram incluídos os óbitos por AVC classificados pelos códigos I60 a I64 da CID-10. As taxas de mortalidade foram calculadas por 100 mil habitantes e analisadas por meio de regressão Joinpoint para avaliação da tendência temporal. A análise espacial incluiu construção de mapas coropléticos, suavização bayesiana empírica global e análise de autocorrelação espacial pelo Índice de Moran Global e Local (LISA).Resultados: Entre 2010 e 2024, foram registrados 285.857 óbitos por AVC na Região Nordeste. Observou-se predominância em indivíduos com idade ≥70 anos (63,06%), do sexo masculino (50,28%), de cor/raça parda (60,42%) e com ocorrência hospitalar (69,88%). O subtipo mais frequente foi o AVC não especificado (68,30%). A Região Nordeste apresentou tendência global de redução da mortalidade por AVC (AAPC = -1,0%; IC95%: -1,5 a -0,5). Maranhão, Piauí, Ceará e Alagoas apresentaram declínio significativo das taxas ao longo da série histórica, enquanto Bahia e Rio Grande do Norte mantiveram comportamento estacionário. A análise espacial evidenciou persistência de clusters Alto-Alto em municípios do interior e do semiárido nordestino, indicando manutenção de desigualdades territoriais relacionadas ao acesso aos serviços especializados e às condições socioeconômicas.Conclusão: Apesar da redução global da mortalidade por AVC no Nordeste brasileiro, persistem importantes desigualdades regionais, com manutenção de áreas de maior risco em municípios interiorizados e socialmente vulneráveis. Os achados reforçam a necessidade de fortalecimento da Atenção Primária à Saúde, ampliação do acesso ao diagnóstico e tratamento oportunos e fortalecimento da regionalização da assistência cerebrovascular, visando à redução das desigualdades e à promoção da equidade em saúde.