MORTE SÚBITA EM PACIENTES PORTADORES DE EPILEPSIA
Dados do documento
Resumo
INTRODUÇÃO: Sabe-se que a porcentagem de morte súbita em pacientes com epilepsia é 40% maior em comparação a indivíduos não epiléticos. De um lado, acredita-se que uma desordem cardíaca, consequência da epilepsia, seria a causa do óbito nesses pacientes. Por outro, existem hipóteses de que contribuições respiratórias e ou diretamente neurológicas possam estar envolvidas. Nesse sentido, observa-se uma controvérsia em relação a causa do óbito nesses indivíduos, com possível contribuição multissistêmica. OBJETIVO: Identificar e relacionar as contribuições cardiovasculares, respiratórias e neurológicas envolvidas na fisiopatologia da morte súbita em pacientes com epilepsia, a fim de demonstrar um envolvimento multissistêmico. METODOLOGIA: Foi feita uma revisão narrativa da literatura utilizando-se da busca de artigos na plataforma PUBMED. Os artigos foram selecionados a partir da estratégia de busca SUDEP AND (cardiac changes OR respiratory chances OR neurological changes) e de acordo com critérios de inclusão e exclusão, tais como: trabalhos em humanos, publicados entre 2018 e 2020 e na língua inglesa. Após seleção foram analisados os perfis epidemiológicos da SUDEP, e as principais manifestações cardiovasculares, respiratórias e neurológicas, bem como sua interrelação. RESULTADOS: Foram selecionados a partir dos critérios de inclusão e exclusão 24 trabalhos. As principais manifestações observadas foram bradicardia ictal e assistolia, intervalo QT prolongado e taquiarritmias, doença cardiovascular associada, apneia central ictal, laringoespasmo, posição prona (asfixia e paradacardiorespiratória (PCR)), obstrução de vias áreas, edema agudo de pulmão, diferenças circadianas nas respostas a crises, depressão generalizadas pós-ictal e alterações em vias serotoninérgicas DISCUSSÃO: A identificação das contribuições de maneira mutissistêmica demonstra que a SUDEP dificilmente pode ser definida por um quadro único. Portanto, mais estudos precisam ser realizados em grandes centros de observação desses pacientes, visto que apenas as observações isoladas não poderão trazer melhores informações sobre a ocorrência de SUDEP. CONCLUSÃO: A identificação das contribuições de maneira mutissistêmica demonstra que a SUDEP dificilmente pode ser definida por um quadro único. Portanto, mais estudos precisam ser realizados em grandes centros de observação desses pacientes, visto que apenas as observações isoladas não poderão trazer melhores informações sobre a ocorrência de SUDEP. Os resultados demonstram que a SUDEP se manifesta de maneira multifatorial, necessitando, portanto, de trabalhos que verifiquem essas manifestações nas diversas áreas de acometimento da morte súbita nas epilepsias. O escasso número de pacientes monitorados durante o quadro dificulta a definição precisa das sobreposições de manifestações cardiovasculares, respiratórias e neurológicas.