Dissertações2021

NEUROPATIA PERIFÉRICA E FATORES DE RISCO ASSOCIADOS EM PACIENTES DIABÉTICOS ASSISTIDOS NA ATENÇÃO PRIMÁRIA EM SAÚDE.

Dados do documento

Autor(es)
Maria Augusta Amorim Franco de Sá
Orientador(es)
Viriato Campelo
Tipo do documento
Dissertações
Ano de publicação
2021
Data de publicação
27 de junho de 2021
Nome do curso
Mestrado
Nome da Unidade
Afya Teresina
Palavras-chave
Diabetes Mellitus. Neuropatias Diabéticas. Atenção Primária em Saúde.

Resumo

A Neuropatia Diabética é a complicação mais comum do Diabetes Mellitus (DM), afetando mais de 50% dos pacientes. A neuropatia periférica simétrica distal constitui sua forma de apresentação mais freqüente, ocorrendo em 90% dos casos, resultando em alterações sensitivo-motoras e déficits funcionais variáveis, além de acarretar custos financeiros e sociais. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são importantes para prevenir complicações da doença, especialmente o pé diabético. A assistência às pessoas com DM na Atenção Primária em Saúde deve ser realizada de acordo com as necessidades gerais previstas no cuidado integral e longitudinal do diabetes, incluindo o apoio para mudança de estilo de vida, o controle metabólico e a prevenção das complicações crônicas, incluindo a ND. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo estimar a prevalência de neuropatia periférica em pacientes com diabetes mellitus tipo 2 (DM2) assistidos na Atenção Primária em Saúde, e identificar os fatores de risco associados. Trata-se de um estudo observacional, transversal, quantitativo, realizado em 15 Unidades Básicas de Saúde (UBS) da zona urbana da cidade de Teresina – PI, com a participação de 263 pacientes com diagnóstico de DM2, com idade de 30 a 60 anos. Para a coleta de dados foram utilizados o Instrumento de Classificação de Neuropatia de Michigan (MNSI - Brasil), o Questionário de Atividades de Autocuidado com o Diabetes (QAD) e um questionário semi-estruturado, abordando aspectos sociodemográficos, antropométricos, clínicos e assistenciais. A neuropatia periférica foi diagnosticada em 32% da amostra, a qual foi constituída majoritariamente de mulheres (69,2%), sendo a maioria dos pacientes com pouca ou nenhuma instrução (52.8%), casados (58,6%), não consumidores de álcool (79,5%) ou tabaco (93,2%), não praticantes de atividade física (64,6%), e apresentando comorbidades (81,7%). Entretanto, não houve influência significativa das variáveis sociodemográficas sobre a presença de neuropatia. Entre os aspectos clínicos, apenas a pressão arterial sistólica foi estatisticamente associada à neuropatia (p=0.0015). Embora a proporção de neuropatias não tenha mostrado relação com o tempo de admissão na UBS (p=0,2492), houve tendência significativa (p=0,0052) de aumento proporcional dos casos quanto maior o tempo de diagnóstico da DM2. A maioria dos pacientes (87,5%) nunca foi submetida à avaliação das condições neuropáticas em membros inferiores, nem receberam orientações acerca dos cuidados com os pés (65,4%), porém não houve associação dessas variáveis com a presença de neuropatia (p = 0,663 e p = 0,9514, respectivamente). A detecção da neuropatia periférica simétrica distal foi predominantemente atribuída à 2ª parte do MNSI – Brasil, com 30,4% dos pacientes apresentando sinais clínicos indicativos de neuropatia (p<0.0001). Em geral, os cuidados com os pés são realizados em média três vezes por semana, sendo o cuidado de secar entre os dedos o mais praticado. Entretanto, não houve diferenças estatisticamente significantes entre aqueles com e sem neuropatia quanto à pratica de autocuidados com os pés. Conclui-se através do exposto que a prevalência de neuropatia periférica em pacientes com DM2 assistidos na Atenção Primária em Saúde em Teresina-PI foi de 32%; não havendo associação com fatores sociodemográficos, presença de comorbidades, prática de autocuidados com os pés, nem com aspectos relacionados à assistência recebida nas UBSs, tendo influência apenas o tempo de diagnóstico do diabetes e a pressão arterial sistólica.