TCC2025

O IMPACTO DA ESPIRITUALIDADE NA QUALIDADE DE VIDA DE PACIENTES ONCOLÓGICOS EM CUIDADOS PALIATIVOS: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA

Dados do documento

Autor(es)
Isabella Fernandes Silva Fidelis
Orientador(es)
Flávia Maria Ribeiro Vital
Tipo do documento
TCC
Ano de publicação
2025
Data de publicação
27 de outubro de 2025
Nome do curso
Medicina
Nome da Unidade
Afya Itaperuna

Resumo

Introdução: Pacientes oncológicos em cuidados paliativos enfrentam intenso sofrimento físico, psicossocial e espiritual. Embora a espiritualidade seja um pilar deste cuidado, persiste a dúvida clínica sobre o impacto mensurável de intervenções focadas nela, dada a complexidade do tema e a escassez de sínteses de alto rigor. O objetivo desta revisão sistemática foi analisar a produção científica sobre a correlação entre intervenções espirituais e os desfechos clínicos em pacientes oncológicos paliativos. Metodologia: Realizou-se uma revisão sistemática com busca nas bases Medline/PubMed, BVS e Cochrane. Os critérios de inclusão foram Ensaios Clínicos Randomizados (ECR) que avaliaram intervenções espirituais em pacientes oncológicos adultos em cuidados paliativos. Os desfechos de interesse principal incluíram qualidade de vida (QoL), bem-estar espiritual e sintomas psicológicos. A qualidade metodológica dos estudos incluídos foi avaliada pela ferramenta Cochrane RoB 2. Resultados: A busca identificou 545 registros, resultando na inclusão final de 3 ECRs (n=519 pacientes). As intervenções analisadas (Terapia da Dignidade, Terapia Espiritual, Psicoterapia Centrada no Sentido) demonstraram impacto positivo na qualidade de vida e no bem-estar espiritual. Observou-se também melhora em sintomas existenciais específicos, como redução da desesperança (p=0,04) e do desejo de apressar a morte (p=0,04). Contudo, o efeito não foi significativo em medidas globais de sofrimento psicológico. A avaliação da qualidade metodológica evidenciou fragilidades importantes, com os três estudos classificados como de “alto risco de viés”, principalmente em função da impossibilidade de cegamento em intervenções espirituais/psicoterapêuticas, do predomínio de desfechos subjetivos de auto-relato e, em dois estudos, de taxas elevadas de perdas relacionadas à piora clínica e óbito, o que reduz a confiança nos achados. Conclusão: Conclui-se que, embora as intervenções espirituais mostrem potencial para melhorar a QoL e aliviar sintomas existenciais específicos, a evidência atual é limitada por alto risco de viés.