O PAPEL DA NEURITINA EM ALTERAÇÕES INTESTINAIS E COMPORTAMENTAIS EM UM MODELO CRÔNICO DE DOENÇA INFLAMATÓRIA INTESTINAL
Dados do documento
Resumo
As doenças inflamatórias intestinais (DIIs) são condições crônicas e multifatoriais caracterizadas por sintomas como diarreia, perda de peso, dor abdominal e presença de sangue nas fezes. Essas doenças afetam tanto a mucosa intestinal quanto o sistema nervoso entérico devido à resposta inflamatória exacerbada. Apesar dos avanços terapêuticos, muitas abordagens não são eficazes ao longo do tempo, o que exige intervenções inovadoras e individualizadas. A neuritina, um fator neurotrófico associado à sobrevivência e à homeostase neuronais, tem ganhado destaque por seu envolvimento em processos inflamatórios, especialmente por sua expressão em células T regulatórias e por sua capacidade de modular esse tipo celular. Nesse contexto, torna-se relevante investigar os efeitos da neuritina em alterações intestinais e extra-intestinais em um modelo crônico de DII. Para isso, camundongos C57BL/6 machos adultos foram submetidos à indução de colite crônica por dois ciclos de administração oral de DSS a 2% por 7 dias, intercalados por 10 dias de descanso. O tratamento consistiu na administração intravenosa de neuritina recombinante (1 μg/40 μL), três vezes por semana, durante quatro semanas. Dez dias após o final do segundo ciclo foram realizados os testes comportamentais e então procedeu-se a eutanásia e coleta do intestino para análises histológicas. Os resultados histopatológicos revelaram que os animais tratados com a neuritina mantiveram a arquitetura original da mucosa e atenuaram a perda de células epiteliais e caliciformes. Ela também foi capaz de mitigar a perda de peso observada nesses modelos. Além disso, os testes comportamentais sugerem que a neuritina impediu o comportamento depressivo dos animais decorrente da manifestação crônica da DII.