TCC2025

O PAPEL DAS PROTEÍNAS TET NA REGULAÇÃO EPIGENÉTICA NA ENDOMETRIOSE ASSOCIADA À INFERTILIDADE

Dados do documento

Autor(es)
Lívia Borges Leal Kling
Orientador(es)
Daniel Escorsim Machado
Tipo do documento
TCC
Ano de publicação
2025
Data de publicação
10 de fevereiro de 2026
Nome do curso
Não informado
Palavras-chave
Proteínas TET. Endometriose. Infertilidade feminina. Mecanismos epigenéticos. Desmetilação do DNA. Endométrio. Receptividade endometrial. Inflamação crônica.

Resumo

As proteínas TET (TET1, TET2 e TET3) atuam na desmetilação ativa do DNA, convertendo 5- metilcitosina (5mC) principalmente em 5-hidroximetilcitosina (5hmC) e regulando a expressão gênica necessária para a diferenciação e manutenção tecidual. Este processo tem implicações em condições como a endometriose, que é uma condição inflamatória crônica caracterizada pela presença de tecido endometrial funcional fora da cavidade uterina. Por sua vez, a endometriose está frequentemente ligada à infertilidade. A infertilidade corresponde à incapacidade de um casal obter gestação após 12 meses de relações sexuais regulares sem uso de contraceptivos. Especificamente, na endometriose, o ambiente inflamatório e as alterações moleculares no endométrio comprometem a receptividade uterina e a implantação embrionária, contribuindo para a infertilidade feminina. A nível molecular, a alteração na expressão das proteínas TET no endométrio de mulheres com endometriose favorece a hipermetilação ou hipometilação de genes relacionados à receptividade e à resposta anti-inflamatória, podendo intensificar a progressão da doença e dificultar a fertilidade. Com isso, o objetivo do trabalho em questão foi investigar de que forma as proteínas TET modulam os mecanismos epigenéticos que contribuem para a progressão da endometriose e para o estabelecimento da infertilidade associada, favorecendo novas perspectivas diagnósticas e terapêuticas. Para isso, foram utilizados as bases PubMed e Elsevier para a busca de artigos publicados entre 2012 e 2024, em inglês e português, sobre proteínas TET, endometriose e infertilidade, dos quais três estudos centrais foram selecionados por sua relevância e consistência metodológica: “Alternância da expressão das translocações 1, 2 e 3 de dez-onze no endométrio eutópico de mulheres com infertilidade associada à endometriose”; “O microRNA22-5p tem como alvo a translocação dez-onze e regula a expressão do receptor de estrogênio 2 em mulheres inférteis com endometriose mínima/leve durante a janela de implantação”; “Macrófagos com superexpressão de TET3 promovem endometriose”. Como resultado, foi evidenciado que a desregulação global de TET1, TET2 e TET3 no endométrio eutópico de mulheres com endometriose e infertilidade, seja, por exemplo, pela regulação negativa da TET2 pelo microRNA-22-5p (miR-22-5p) ou pela superexpressão da TET3 em macrófagos, de fato, pode comprometer a regulação epigenética, o que favorece não só a inflamação e a progressão das lesões endometrióticas, mas também gera alterações na expressão de genes relacionados à receptividade endometrial e aos receptores hormonais, impactando negativamente a fertilidade. Com isso o trabalho foi capaz de sintetizar e analisar criticamente os efeitos da desregulação das proteínas TET na endometriose e na infertilidade, identificando padrões moleculares relevantes e lacunas no conhecimento, oferecendo subsídios para futuras pesquisas e potenciais abordagens terapêuticas