O PAPEL DAS PROTEÍNAS TET NA REGULAÇÃO EPIGENÉTICA NA ENDOMETRIOSE ASSOCIADA À INFERTILIDADE
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Resumo
As proteínas TET (TET1, TET2 e TET3) atuam na desmetilação ativa do DNA, convertendo 5- metilcitosina (5mC) principalmente em 5-hidroximetilcitosina (5hmC) e regulando a expressão gênica necessária para a diferenciação e manutenção tecidual. Este processo tem implicações em condições como a endometriose, que é uma condição inflamatória crônica caracterizada pela presença de tecido endometrial funcional fora da cavidade uterina. Por sua vez, a endometriose está frequentemente ligada à infertilidade. A infertilidade corresponde à incapacidade de um casal obter gestação após 12 meses de relações sexuais regulares sem uso de contraceptivos. Especificamente, na endometriose, o ambiente inflamatório e as alterações moleculares no endométrio comprometem a receptividade uterina e a implantação embrionária, contribuindo para a infertilidade feminina. A nível molecular, a alteração na expressão das proteínas TET no endométrio de mulheres com endometriose favorece a hipermetilação ou hipometilação de genes relacionados à receptividade e à resposta anti-inflamatória, podendo intensificar a progressão da doença e dificultar a fertilidade. Com isso, o objetivo do trabalho em questão foi investigar de que forma as proteínas TET modulam os mecanismos epigenéticos que contribuem para a progressão da endometriose e para o estabelecimento da infertilidade associada, favorecendo novas perspectivas diagnósticas e terapêuticas. Para isso, foram utilizados as bases PubMed e Elsevier para a busca de artigos publicados entre 2012 e 2024, em inglês e português, sobre proteínas TET, endometriose e infertilidade, dos quais três estudos centrais foram selecionados por sua relevância e consistência metodológica: “Alternância da expressão das translocações 1, 2 e 3 de dez-onze no endométrio eutópico de mulheres com infertilidade associada à endometriose”; “O microRNA22-5p tem como alvo a translocação dez-onze e regula a expressão do receptor de estrogênio 2 em mulheres inférteis com endometriose mínima/leve durante a janela de implantação”; “Macrófagos com superexpressão de TET3 promovem endometriose”. Como resultado, foi evidenciado que a desregulação global de TET1, TET2 e TET3 no endométrio eutópico de mulheres com endometriose e infertilidade, seja, por exemplo, pela regulação negativa da TET2 pelo microRNA-22-5p (miR-22-5p) ou pela superexpressão da TET3 em macrófagos, de fato, pode comprometer a regulação epigenética, o que favorece não só a inflamação e a progressão das lesões endometrióticas, mas também gera alterações na expressão de genes relacionados à receptividade endometrial e aos receptores hormonais, impactando negativamente a fertilidade. Com isso o trabalho foi capaz de sintetizar e analisar criticamente os efeitos da desregulação das proteínas TET na endometriose e na infertilidade, identificando padrões moleculares relevantes e lacunas no conhecimento, oferecendo subsídios para futuras pesquisas e potenciais abordagens terapêuticas