Dissertações2014

O SABER DE ADOLESCENTES SOBRE O CRACK: UMA CONTRIBUIÇÃO PARA A PRÁTICA DA ATENÇÃO BÁSICA.

Dados do documento

Autor(es)
Juliana Macêdo Magalhães
Orientador(es)
Claudete Ferreira de Souza Monteiro
Tipo do documento
Dissertações
Ano de publicação
2014
Data de publicação
18 de junho de 2013
Nome do curso
Mestrado
Nome da Unidade
Afya Teresina
Palavras-chave
Saúde da Família. Cocaína crack. Adolescente.

Resumo

Um dos grandes problemas vivenciados pela sociedade é o consumo de drogas, que de forma progressiva passou a ser caracterizado como um grave problema de saúde pública, em virtude das repercussões físicas, biológicas, psicológicas e sociais deste fenômeno na vida dos usuários e da sociedade em geral. Esta problemática tomou proporções ainda mais graves com o advento do crack, em especial quando os usuários são adolescentes, por serem estes mais vulneráveis ao uso e abuso dessa substância, pois os danos físicos, sociais e emocionais na vida dos adolescentes e suas famílias, via de regra são irreparáveis. Os objetivos foram descrever o saber de adolescentes sobre o crack, relacionar a influência dos determinantes sociais e culturais no conhecimento (saber) destes sobre o uso de crack, discutir os modos, tipos e formas de informação dos adolescentes sobre o crack e elaborar um folder sobre a prevenção ao uso do crack. Trata-se de um estudo descritivo de abordagem qualitativa, que se utilizou da estratégia metodológica da pesquisa-ação, no cenário assistencial de uma Equipe da Estratégia Saúde da Família de uma comunidade da cidade de Caxias-MA. O grupo de sujeitos constituiu-se de 33 adolescentes residentes na área de abrangência desta Equipe da Estratégia Saúde da Família. Os dados foram coletados por meio de seminários, no período de abril a dezembro de 2012, posteriormente, mapeados e agrupados de acordo com a convergência dos seus conteúdos em categorias temáticas, interpretadas segundo análise de conteúdo. Os resultados mostraram que os saberes destes sujeitos são empíricos e superficiais, formulado a partir de informações do senso comum, na maioria das vezes provenientes das mídias televisivas, e de forma complementar pela via do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência implantado no município de Caxias-MA. Emergiu também dos depoimentos dos sujeitos as possibilidades de uso e abuso desta substância se dá em decorrência da precariedade do acesso às informações completas e seguras sobre os impactos negativos do crack na vida dos usuários. Evidenciou-se ainda que os participantes do estudo se veem como importantes atores nas práticas de educação em saúde, com vistas a prevenção do uso do crack por outros adolescentes, por falarem a mesma linguagem e vivenciarem crises e conflitos semelhantes, podendo assim atuarem como parceiros dos profissionais da saúde nas atividades preventivas ao uso de drogas. Para estes, as práticas educativas deverão ser desenvolvidas a partir de reflexões e articulações de saberes, aqueles previamente incorporados no dia-a-dia, provenientes do senso comum e as informações epidemiológicas e sanitárias sobre o crack trazidas pelos profissionais de saúde, de modo claro, compreensivo e acessível, para que possa de fato ocorrer a conscientização e a formulação de um novo saber mais completo e capaz de empoderar estes sujeitos para prevenção ao uso do crack. Percebeu-se que o saber dos adolescentes é superficial e frágil para superar os incentivos e a capacidade de mobilização do tráfico de drogas disseminado em todo país, especialmente, em relação ao crack. Mostra-se imperativa a atuação da Estratégia Saúde da Família nas práticas de educação em saúde para prevenção do uso de droga junto a esta clientela vulnerável, qual seja os adolescentes. E que as ações educativas coloquem os adolescentes como atores capazes de conscientizarem-se e promoverem a conscientização do seu grupo social.