O SABER DE ADOLESCENTES SOBRE O CRACK: UMA CONTRIBUIÇÃO PARA A PRÁTICA DA ATENÇÃO BÁSICA.
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Resumo
Um dos grandes problemas vivenciados pela sociedade é o consumo de drogas, que de forma progressiva passou a ser caracterizado como um grave problema de saúde pública, em virtude das repercussões físicas, biológicas, psicológicas e sociais deste fenômeno na vida dos usuários e da sociedade em geral. Esta problemática tomou proporções ainda mais graves com o advento do crack, em especial quando os usuários são adolescentes, por serem estes mais vulneráveis ao uso e abuso dessa substância, pois os danos físicos, sociais e emocionais na vida dos adolescentes e suas famílias, via de regra são irreparáveis. Os objetivos foram descrever o saber de adolescentes sobre o crack, relacionar a influência dos determinantes sociais e culturais no conhecimento (saber) destes sobre o uso de crack, discutir os modos, tipos e formas de informação dos adolescentes sobre o crack e elaborar um folder sobre a prevenção ao uso do crack. Trata-se de um estudo descritivo de abordagem qualitativa, que se utilizou da estratégia metodológica da pesquisa-ação, no cenário assistencial de uma Equipe da Estratégia Saúde da Família de uma comunidade da cidade de Caxias-MA. O grupo de sujeitos constituiu-se de 33 adolescentes residentes na área de abrangência desta Equipe da Estratégia Saúde da Família. Os dados foram coletados por meio de seminários, no período de abril a dezembro de 2012, posteriormente, mapeados e agrupados de acordo com a convergência dos seus conteúdos em categorias temáticas, interpretadas segundo análise de conteúdo. Os resultados mostraram que os saberes destes sujeitos são empíricos e superficiais, formulado a partir de informações do senso comum, na maioria das vezes provenientes das mídias televisivas, e de forma complementar pela via do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência implantado no município de Caxias-MA. Emergiu também dos depoimentos dos sujeitos as possibilidades de uso e abuso desta substância se dá em decorrência da precariedade do acesso às informações completas e seguras sobre os impactos negativos do crack na vida dos usuários. Evidenciou-se ainda que os participantes do estudo se veem como importantes atores nas práticas de educação em saúde, com vistas a prevenção do uso do crack por outros adolescentes, por falarem a mesma linguagem e vivenciarem crises e conflitos semelhantes, podendo assim atuarem como parceiros dos profissionais da saúde nas atividades preventivas ao uso de drogas. Para estes, as práticas educativas deverão ser desenvolvidas a partir de reflexões e articulações de saberes, aqueles previamente incorporados no dia-a-dia, provenientes do senso comum e as informações epidemiológicas e sanitárias sobre o crack trazidas pelos profissionais de saúde, de modo claro, compreensivo e acessível, para que possa de fato ocorrer a conscientização e a formulação de um novo saber mais completo e capaz de empoderar estes sujeitos para prevenção ao uso do crack. Percebeu-se que o saber dos adolescentes é superficial e frágil para superar os incentivos e a capacidade de mobilização do tráfico de drogas disseminado em todo país, especialmente, em relação ao crack. Mostra-se imperativa a atuação da Estratégia Saúde da Família nas práticas de educação em saúde para prevenção do uso de droga junto a esta clientela vulnerável, qual seja os adolescentes. E que as ações educativas coloquem os adolescentes como atores capazes de conscientizarem-se e promoverem a conscientização do seu grupo social.