O USO DO RECONHECIMENTO FACIAL NA SEGURANÇA PÚBLICA BRASILEIRA: UMA ANÁLISE JURÍDICA DAS IMPLICAÇÕES QUANTO AO DIREITO À PRIVACIDADE
Dados do documento
Resumo
O presente artigo examina o uso do reconhecimento facial (RF) na segurança
pública brasileira. A pesquisa, de natureza bibliográfica e documental, tem como
propósito compreender suas implicações jurídicas, especialmente no que se
refere ao direito à privacidade, garantia assegurada pelo artigo 5º, inciso X, da
Constituição Federal. Com abordagem interdisciplinar, o estudo analisa a
legislação brasileira, os princípios constitucionais, a Lei Geral de Proteção de
Dados Pessoais (LGPD), além de casos noticiados e jurisprudências. O RF,
técnica biométrica utilizada para identificar suspeitos e auxiliar investigações,
representa avanço tecnológico, mas traz riscos relacionados à precisão dos
algoritmos e à ausência de regulamentação. Tais fatores têm resultado em
prisões indevidas, abordagens discriminatórias e violações ao direito à
privacidade. A inexistência de regulamentação específica sobre o uso do RF nos
estados brasileiros configura um vácuo normativo, onde dificulta a
responsabilização por abusos e possibilita arbitrariedades estatais. Atualmente,
sua aplicação se baseia em interpretações genéricas da LGPD e em disposições
administrativas estaduais e municipais. Conclui-se que o reconhecimento facial,
embora apresente potencial para aprimorar a segurança pública, exige
regulamentação clara e específica que assegure o equilíbrio entre a eficiência
estatal e a proteção dos direitos fundamentais.