OCORRÊNCIA DE PRESCRIÇÕES EMPÍRICAS E INFECÇÕES CAUSADAS POR BACTÉRIAS MULTIRRESISTENTES EM PACIENTES INTERNADOS EM UNIDADES DE TERAPIA INTENSIVA COVID-19 E NÃO-COVID NO SUDESTE DO PARÁ, NA AMAZÔNIA BRASILEIRA
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Resumo
RESUMO
Objetivos: Esse estudo tem como objetivo comparar o perfil clínico, epidemiológico e laboratorial das infecções ou colonizações bacterianas entre os pacientes internados em UTI Covid-19 e não-Covid no Sudeste do Estado do Pará, Brasil. Métodos: Trata-se de um estudo do tipo analítico retrospectivo, realizado a partir de análises de prontuários eletrônicos e laudos microbiológicos de pacientes internados em UTI devido a complicações associadas a Covid-19 e outras causas, no período de março de 2020 a dezembro 2021 em um hospital regional localizado no Estado do Pará na Amazônia brasileira. A amostra é composta por dados de prontuário de 343 pacientes, coletados após aprovação no Comitê de Ética e Pesquisa sob parecer nº 5281433. Na coleta foram analisados os dados presentes nos laudos de culturas bacteriológicas e antibiogramas, a fim de caracterizar o perfil clinico- epidemiológico dos pacientes. Os dados foram transferidos e tabulados em bancos de dados no Software Microsoft Excel 2019 para análise estatísticas descritivas e associativas utilizando o Software estatística Stata 17.0. Resultados: Do total da amostra, 59,5% dos pacientes estavam internados na UTI- Covid e 40,5% em UTI não-Covid. A maioria dos indivíduos internados em UTI-Covid e UTI não-Covid apresentavam idade entre 66 e 78 anos e 54 e 66 anos, respectivamente. O tempo de internação em UTI-Covid foi menor que 15 dias, enquanto em UTIs não Covid-19 foi de 15 a 30 dias. Cerca de 64% dos pacientes internados em UTIs Covid-19 tiveram o óbito como desfecho, enquanto 58% dos internados em UTI não Covid-19 tiveram alta. As comorbidades mais prevalentes em ambas UTIs foram as doenças do aparelho circulatório. As bactérias gram-negativas foram as mais frequentes em ambas, presentes em 63,1% das culturas analisadas. Com relação ao perfil fenotípico de resistência destaca-se a produção de Carbapenemases detectada em 43,0% das culturas analisadas. A multirresistência frente aos antimicrobianos foi mais frequente na UTI não-Covid 55,7%. Em relação a prescrição de antimicrobianos nota-se que tanto entre a UTI Covid-19, quanto entre a UTI não-Covid-19, a maioria das prescrições foram empíricas. Conclusão: A recorrência de infecções secundárias e colonizações bacterianas em pacientes internados em UTI- Covid e não-Covid não devem ser subestimadas. E o conhecimento acerca do perfil clínico, microbiológico e de resistência bacteriana, traz à tona a necessidade da formulação de estratégias holísticas e assertivas para controle e mitigação dessas problemáticas, contribuindo para o melhor prognóstico dos pacientes e melhoria da qualidade e segurança dos pacientes.
Palavras-chave: COVID-19; Infecções bacterianas secundárias. Resistência a Múltiplos Medicamentos; Medicina baseada em evidências.