OS IMPACTOS DO USO DE MEDICAÇÕES PSIQUIÁTRICAS NA EXPERIÊNCIA DE USUÁRIOS NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
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Resumo
O sistema único de saúde (SUS), que foi constituído em 1990, assegura que toda a população brasileira tenha acesso gratuito e universal aos tratamentos de saúde, priorizando a promoção e a prevenção. A atenção primária à saúde (APS) acaba funcionando como a principal porta de entrada do SUS, envolvendo ações de cuidado contínuo e integral, inclusive à saúde mental. Apesar de alguns avanços, a APS perpassa por vários desafios e um deles é a continuidade do modelo biomédico, que tem como foco a prescrição de remédios, sem considerar as práticas psicossociais. O consumo de medicamentos psiquiátricos aumentou bastante no Brasil. Na maioria das vezes, isso acontece sem um acompanhamento adequado, gerando dependência medicamentosa e efeitos adversos. Nesta pesquisa investigou-se o uso prolongado de medicamentos psiquiátricos em duas cidades de Minas Gerais, por meio de entrevistas realizadas com sete usuários acompanhados pelas Estratégias Saúde da Família (ESFs). Os resultados mostraram a carência de profissionais especializados, uso da prescrição como resposta imediata e dificuldade no acesso a terapias complementares, destacando a fragilidade das redes multidisciplinares. Ficou evidente que a ausência de acompanhamento sistemático reforça a dependência dos remédios e limita a promoção da autonomia dos pacientes.