PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DAS INTERNAÇÕES POR ABORTO ESPONTÂNEO NO BRASIL (2015–2024)
Dados do documento
Resumo
Objetivo: Analisar a ocorrência de internações por aborto espontâneo no Brasil, no período de 2015 a 2024, buscando identificar padrões temporais e regionais. Métodos: Estudo ecológico de série temporal, realizado com dados secundários provenientes do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS). Foram incluídas mulheres com idade entre 10 e 49 anos internadas com diagnóstico de aborto espontâneo (CID-10 O03). As variáveis analisadas foram faixa etária, região de residência, ano de atendimento e caráter da internação. Resultados: No período estudado, foram registradas 835.331 internações por aborto espontâneo no Brasil, observando-se tendência de redução ao longo dos anos. A maior proporção de internações ocorreu entre mulheres de 20 a 29 anos (44,0%), seguida da faixa etária de 30 a 39 anos (32,9%). A Região Nordeste concentrou o maior número de internações (39,7%). Quanto ao caráter do atendimento, verificou-se predominância expressiva das internações de urgência, correspondendo a 97,5% dos casos. Conclusão: O aborto espontâneo permanece como importante causa de internações gineco-obstétricas no Brasil, apresentando elevada relevância epidemiológica, especialmente entre mulheres em idade reprodutiva. Além disso, foram observadas diferenças regionais na distribuição dos casos e tendência de redução das internações ao longo do período analisado. Os achados reforçam a necessidade do fortalecimento das políticas públicas voltadas à saúde da mulher, com foco na assistência prénatal, no acompanhamento gestacional e na prevenção de desfechos adversos da gravidez.