Dissertações2021

POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL NO CONTEXTO DO SISTEMA DE PROTEÇÃO SOCIAL BRASILEIRO E OS PROGRAMAS DE TRANSFERÊNCIA DE RENDA: UNIVERSALIDADE OU SELETIVIDADE?

Dados do documento

Autor(es)
Larissa Veloso Nunes
Orientador(es)
Solange Maria Teixeira
Tipo do documento
Dissertações
Ano de publicação
2021
Data de publicação
20 de junho de 2021
Nome do curso
Mestrado
Nome da Unidade
Afya Teresina
Palavras-chave
BPC. Bolsa Família. Assistência Social. Estado de Bem-Estar Social.

Resumo

Este trabalho tem como objeto de estudo a Assistência Social e os programas de transferência de renda do Brasil, com o objetivo de configurar e analisar as mudanças normativas sofridas pelo BPC e o Bolsa Família no novo milênio, e suas repercussões na caracterização do sistema de proteção social brasileiro. A metodologia utilizada foi a quanto-qualitativa, com duas frentes de pesquisa: a bibliográfica, em livros, artigos, dissertações, dentre outros; e a documental, nas legislações, sites de Ministérios e em documentos oficiais do INSS. Os resultados encontrados foram: o BPC para deficientes e idosos sofreu avanços e retrocessos, tendo sofrido mudanças em requisitos de acesso, etapas de concessão, conceitos de família e idade, as quais mostram correlação com o aumento do número de concessões e, consequentemente, de gastos federais; o Bolsa Família registrou expansão, seja em seus tipos de benefícios, quantidade e idade de crianças/adolescentes que podem ser beneficiados e aumento do número de famílias beneficiárias; da mesma forma, trouxe como inovação o surgimento do Plano Brasil Sem Miséria, que contribuiu para a erradicação da pobreza; o surgimento do BPC Escola e do BPC Trabalho é exemplo de expansão do benefício e da atenção ao beneficiário no contexto dos serviços da Assistência Social. Em relação aos gastos entre as políticas, o orçamento da Seguridade Social e o orçado para cada política, nos últimos anos, apontam para um processo de assistencialização da proteção social no Brasil, prova disso é o orçamento da Assistência Social, que cresceu consideravelmente em detrimento das outras políticas de Seguridade Social e o crescimento dos programas de transferência de renda. Pode-se concluir que as mudanças operadas no novo milênio, no BPC e no Bolsa Família, seguiram as tendências focalizatórias da política, apesar do aumento considerável de benefícios ao longo destes anos, ainda não se atingiu a universalização nem no grupo focalizado, e apesar das condicionalidades serem indicadas como necessárias para o acesso a outras políticas, não há um investimento nas políticas universalizadas e cresce a residualidade e a seletividade nos benefícios. Nestes termos, o sistema de proteção social brasileiro encontra dificuldades para a universalidade, mantendo características mistas, com características dos três regimes de Esping-Andersen: universalidade na saúde, mérito na previdência social e na assistência social benefícios e serviços não contributivos, mas focalizada nos que dela necessitam e a seletividade nos benefícios e programas de transferência de renda. Não há uma relação de complementaridade entre universalidade e focalização, mas assimetrias e manutenção da seletividade.