Dissertações2017

PREVALÊNCIA DE INCAPACIDADE FÍSICA EM HANSENIANOS ATENDIDOS EM CENTRO DE REFERÊNCIA DE TERESINA-PI.

Dados do documento

Autor(es)
Manuella Simplício Viana de Carvalho
Orientador(es)
Maria do Carmo de Carvalho e Martins
Tipo do documento
Dissertações
Ano de publicação
2017
Data de publicação
19 de junho de 2013
Nome do curso
Mestrado
Nome da Unidade
Afya Teresina
Palavras-chave
Incapacidade Física. Hanseníase. Doenças Negligenciadas.

Resumo

A hanseníase é uma doença infecto contagiosa que se manifesta por meio de sinais e sintomas dermatoneurológicos. As incapacidades e as deformidades físicas fazem parte do cotidiano dos hansenianos e interferem no trabalho e na vida do paciente, levando muitas vezes a traumas psicológicos, além de discriminação e exclusão social. O diagnóstico precoce da doença é um fator importante no tratamento e na interrupção do contágio. Estudos que possibilitem a construção de indicadores epidemiológicos seguros podem contribuir para efetivo controle de doenças negligenciadas. O presente estudo investigou a prevalência de incapacidade física em hansenianos atendidos em centro de referência da cidade de Teresina, no período de 2005 a 2010. Trata-se de estudo quantitativo exploratório descritivo, tipo censo, com coleta retrospectiva de dados. O instrumento utilizado foi um formulário para registro de informações sobre sexo, idade, ocupação, classificação operacional da doença, grau de incapacidade física, forma clínica da doença e região afetada. Os dados foram tabulados utilizando os programas Excel e o aplicativo StatisticalPackage for the Social Sciences(SPSS), versão 18.0. Foram realizadas análises descritivas e as associações entre as variáveis estudadas foram investigadas por meio do teste do Qui-quadrado. A significância estatística foi fixada em p < 0,05. Os resultados foram apresentados em medidas de frequência absoluta e em percentuais. Observou-se que 77,1% dos doentes eram adultos. Não houve diferença nas proporções de homens (49,3%) e mulheres (50,7%) nos prontuários analisados. Aproximadamente metade dos pacientes (49%) apresentava idade entre 20 e 49 anos. As proporções de classificação operacional multibacilar e paucibacilar foram, respectivamente, de 50,1% e 49,9%. As formas clínicas predominantes foram dimorfa (42,7%) e indeterminada (31,7%). Quase metade dos pacientes (46,8%) iniciou tratamento entre 2007 e 2008. A prevalência de incapacidade física foi de 21,4%, sendo 13,3% de grau I e 8,1% de grau II, e ambas apresentaram associação significativa com sexo masculino e forma virchowiana e multibacilar. A prevalência de incapacidade grau I mostrou-se associada com a idade acima de 31 anos (p= 0,03), com a presença de incapacidade grau I três vezes maior em pacientes na faixa etária de 31 anos, e incapacidade de grau II duas vezes maior nesse grupo etário. Em relação às regiões do corpo acometidas por incapacidades físicas em hansenianos atendidos em centro de estudo, houve associação significativa da incapacidade física com as regiões do corpo, prevalecendo mãos e pés. A doença predominou na faixa etária economicamente ativa. O estudo demonstrou que há maior prevalência do grau I de incapacidade física do que grau II no centro de referência onde foi realizada a pesquisa. As elevadas proporções de pacientes com classificação paucibacilar e forma indeterminada da doença indicam atividades de diagnóstico precoce. A prevalência de incapacidade física encontra-se elevada em relação a estudos realizados em outras cidades brasileiras. As incapacidades estiveram relacionadas ao sexo, faixa etária, forma clínica e classificação operacional. A elevada prevalência de incapacidade física indica a necessidade de cuidados para evitar maiores comprometimentos da qualidade de vida e capacidade produtiva dos pacientes.