REGULAMENTAÇÃO DO TELETRABALHO NO BRASIL: AVANÇOS, DESAFIOS E PERSPECTIVAS PÓS-REFORMA TRABALHISTA
Dados do documento
Resumo
Este trabalho analisa criticamente a regulamentação do teletrabalho no Brasil, com ênfase nas
mudanças trazidas pela Reforma Trabalhista de 2017, que inseriu os artigos 75-A a 75-E na
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A pesquisa, de natureza bibliográfica e
documental, investiga os impactos jurídicos, sociais e psicológicos dessa modalidade,
intensificada durante a pandemia da COVID-19, mas já presente em diversos setores da
economia e da administração pública. Com abordagem interdisciplinar, o estudo considera a
legislação brasileira, a jurisprudência trabalhista, diretrizes da Organização Internacional do
Trabalho (OIT) e experiências normativas de países como França e Espanha.
Verificou-se que, apesar do reconhecimento formal do teletrabalho, persistem lacunas
relevantes na legislação nacional, especialmente quanto ao controle da jornada, ao direito à
desconexão, à responsabilização por custos operacionais, à proteção da saúde do trabalhador e
à garantia de negociação coletiva. A jurisprudência tem buscado suprir tais ausências, mas de
forma ainda incerta, comprometendo a segurança jurídica das relações laborais.
A digitalização do trabalho também vem alterando conceitos tradicionais de tempo e espaço
laborais, exigindo nova interpretação dos institutos clássicos do Direito do Trabalho. O uso de
tecnologias de vigilância e algoritmos de desempenho amplia o controle patronal, reduz a
autonomia do trabalhador e acentua desigualdades. Esses fatores evidenciam a necessidade de
um marco normativo mais protetivo, alinhado aos princípios constitucionais, que assegure
condições dignas de trabalho e evite a precarização mascarada de flexibilidade.
Conclui-se que uma regulamentação efetiva, inclusiva e socialmente comprometida é
fundamental para consolidar o teletrabalho como instrumento de progresso, e não como
retrocesso nas garantias trabalhistas.