RELAÇÃO ENTRE O VÍRUS SARS-COV-2 E A NEURODEGENERAÇÃO NA DOENÇA DE ALZHEIMER: UMA REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA
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Resumo
A Doença de Alzheimer é a principal causa de demência do mundo, sendo caracterizada pelo declínio cognitivo progressivo e pelo acúmulo de proteína beta-amiloide e emaranhados de tau hiperfosforilada. A neuroinflamação crônica desencadeada por respostas inflamatórias exacerbadas e infecções virais neurotrópicas, bem como fatores genéticos como alelo APOE E4, têm sido apontados como fatores influenciadores da progressão da doença. O vírus SARS- CoV-2, causador da pandemia da COVID-19, mostrou grande potencial neuroinvasor pela capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica (BHE) e causar neuroinflamação e ativação da microglia, levando à neurodegeneração e alterações cognitivas parecidas com as observadas na DA. Assim, esse estudo teve como objetivo analisar as evidências que relacionam a infecção pelo SARS-CoV-2 com o desenvolvimento ou progressão da DA, destacando os mecanismos patológicos compartilhados, como ativação da microglia, neuroinflamação, disfunção da BHE e acúmulo de proteínas neurotóxicas. A metodologia do estudo foi uma revisão integrativa da literatura com abordagem qualitativa e descritiva, utilizando as bases de dados PubMed, SciELO, NCBI e ScienceDirect, e as palavras-chave Alzheimer’s disease, ACE2, COVID-19, Neuroinflammation, Neurodegeneration e SARS- CoV-2. Foram considerados 95 artigos publicados entre 2015 e 2025 considerados relevantes para a contextualização do tema. Os resultados obtidos indicam que o vírus tem capacidade de invadir o sistema nervoso central por meio da via olfatória ou pela disseminação hematogênica, utilizando receptores ECA2 presente nos neurônios, astrócitos e microglia. Essa infecção induz uma cascata inflamatória, promovendo uma neuroinflamação e disfunção da BHE, o que favorece a deposição de proteína beta-amiloide e hiperfosforilação de tau. Como conclusão, observou-se o que SARS-CoV-2 possui potencial neuroinvasor, podendo desencadear ou acelerar processos fisiopatológicos presentes na DA, principalmente em indivíduos portadores do alelo APOE E4. Esse estudo contribui para a compreensão dos efeitos neurológicos do SARS-CoV-2 e quais seus possíveis impactos na progressão de doenças neurogenerativas