TCC2019

RELAÇÕES DE PODER “VERSUS” AUTONOMIA DO PACIENTE PORTADOR DE ESQUIZOFRENIA: EXPERIÊNCIA DE UMA INTERNA DE MEDICINA UNIGRANRIO AFYA

Dados do documento

Autor(es)
Camila Anzia Vougo da Silva
Orientador(es)
Márcia Silveira Ney
Tipo do documento
TCC
Ano de publicação
2019
Data de publicação
28 de abril de 2025
Nome do curso
Não informado
Palavras-chave
Autonomia pessoal. Esquizofrenia. Paciente.

Resumo

Introdução: A esquizofrenia é um transtorno neuropsiquiátrico com psicose crônica ou recorrente, de aspecto genético complexo. A doença, representada pela ideia da loucura, ganhou diferentes significados ao longo da história. A partir do século XX, passou a ser reconhecida como patologia e, assim, apenas o médico teria a capacidade de diagnosticar os pacientes com o transtorno e escolher o tratamento. O paciente tem sua autonomia reduzida e recebe o estigma de incapaz para opinar sobre seu tratamento, até mesmo após a reforma psiquiátrica. **Objetivos:** Discutir a autonomia do paciente psiquiátrico no tocante ao seu plano terapêutico, compreender as relações de poder exercidas pelos profissionais de saúde no plano de cuidado do paciente e discutir sobre a importância do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) para a prática da autonomia no paciente esquizofrênico. **Métodos:** Relato de experiência de uma interna de medicina, durante seu estágio em psiquiatria; revisão bibliográfica sobre o tema, utilizando como fonte de pesquisa as bases da SCIELO, com a escolha dos seguintes descritores: "esquizofrenia", "autonomia" e "relações de poder". **Discussão:** Não se verifica na psiquiatria uma escala ou métodos universalmente aceitos para avaliar a capacidade de escolha no paciente esquizofrênico. Sem considerar a experiência de doença do paciente, predomina-se a opinião do médico como método de escolha para a opção terapêutica não compartilhada. O TCLE aparece como uma ferramenta para dar suporte e aumentar a autonomia do paciente em seu tratamento. **Conclusão:** A ressocialização do paciente com esquizofrenia perpassa não só pelas medidas instituídas para o controle da doença e de seus sintomas, mas também pelos mecanismos que fortaleçam a relação médico-paciente para uma abordagem individualizada da pessoa, que seja capaz de respeitar sua autonomia para a escolha terapêutica, garantindo a melhoria de sua qualidade de vida e melhor manejo do seu autocuidado.