RESSIGNIFICAÇÃO EXISTENCIAL DOS INTERNOS NO HOSPITAL COLÔNIA
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Resumo
Este trabalho realiza uma investigação sobre a capacidade humana de encontrar "sentido da vida", compreendido, segundo Viktor Frankl, como a capacidade humana de encontrar propósito mesmo diante do sofrimento em contextos de extrema desumanização, tendo como foco o Hospital Colônia na cidade de Barbacena, marco sombrio no campo da saúde mental brasileira. A abordagem teórica fundamental incorpora os conceitos de Viktor Frankl evidenciando a resiliência e as estratégias existenciais adotadas por internos para preservar sua humanidade. Por meio da metodologia qualitativa, especialmente a história oral, foram realizadas entrevistas com ex-funcionários e familiares de internos, trazendo à luz relatos sobre vínculos afetivos que sustentaram a sobrevivência, o desafio institucional e as formas de resistência subjetiva que emergiram diante de práticas desumanizadoras. Os resultados destacam três categorias principais: violência e restrição da liberdade interior, amor, música e resistência, e Frankl e os limites do sentido, que refletem a desumanização institucional, aestratégias afetivas e culturais de afirmação da dignidade, e os desafios para a construção do sentido de vida diante da gravidade do sofrimento psíquico e da precariedade socioeconômica. Ao integrar perspectivas clássicas de controle social e crítica à medicalização com a visão humanista existencialista de Frankl, o trabalho contribui para uma compreensão crítica das características manicomiais, reforçando a urgência de políticas de saúde mental que reconheçam a dignidade e autonomia dos sujeitos.