SER MÃE NA UTIN
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Resumo
A maternidade, frequentemente marcada por idealizações e expectativas, sofre uma ruptura significativa diante da prematuridade e da hospitalização neonatal, impondo às mães intensos desafios emocionais e existenciais. A partir da filosofia de Martin Heidegger, conceitos como temporalidade, angústia e ser-para-a-morte são mobilizados para analisar o modo como essas mulheres ressignificam suas vivências diante da fragilidade da vida de seus filhos e da iminência constante da morte. Este artigo tem como objetivo compreender então a experiência de mães que vivenciaram a internação de seus bebês na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), analisando seus impactos emocionais e existenciais, bem como o papel das redes de apoio nesse processo. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, exploratória e fenomenológica, utilizando entrevistas narrativas semi-estruturadas com quatro mães, selecionadas por amostragem em cadeia. As entrevistas foram realizadas online, transcritas integralmente e analisadas por categorização temática. Os resultados revelaram três eixos principais: (a) sentimentos de fragilidade e vivência na UTIN, expondo sentimentos como medo da perda, culpa e impotência; (b) temporalidade alterada, angústia e Ser-para-a-morte e a UTIN, marcada pela espera e pela consciência da finitude; e (c) rede de apoio e ressignificação dentro da UTIN, evidenciando o papel da família, da espiritualidade e do acolhimento profissional. Ao ouvir essas mães, o estudo pretende contribuir para práticas mais humanizadas no contexto hospitalar e para a ampliação da compreensão da maternidade como fenômeno existencial atravessado pela vulnerabilidade, pelo cuidado e busca de sentido.