SINAIS E SINTOMAS DE DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÔNICA APÓS REABILITAÇÃO PULMONAR: AVALIAÇÃO DA PERCEPÇÃO DOS PACIENTES
Dados do documento
Resumo
Programas de Reabilitação Pulmonar (PRP) podem ser considerados como importantes ferramentas no arsenal terapêutico disponibilizado a pneumopatas, sendo notórios os efeitos benéficos desse tipo de intervenção na percepção de sintomas, na capacidade física e na qualidade de vida. O presente estudo teve como objetivo comparar a percepção dos pacientes quanto aos sinais e sintomas da DPOC antes e após a realização do PRP e ainda elaborar uma cartilha com orientações para os pacientes com DPOC sobre a prevenção da doença. A pesquisa foi realizada em um Ambulatório de Reabilitação Pulmonar que atendia ao Sistema Único de Saúde (SUS). Foram incluídos no estudo 56 pacientes, de ambos os sexos, com diagnóstico de DPOC classificados em graus II e III (moderado e grave, respectivamente), e que iniciaram o PRP no mês de março de 2015. Informações sobre dados socioeconômicos foram obtidas através de um questionário elaborado para traçar um perfil desses pacientes. A percepção dos pacientes acerca dos sintomas da doença foi avaliada por meio da escala de percepção de esforço de Borg, aplicada antes e ao final de oito semanas do PRP que acontecia em grupo, numa frequência de três vezes por semana e incluía treinamento aeróbico e de força. Os dados coletados foram submetidos a análise estatística descritiva e inferencial. A normalidade da distribuição dos dados foi testada por meio de aplicação do teste deKolmogorov-Smirnov nas variáveis de saturação periférica de oxigênio (SPO2), teste de caminhada de seis minutos (TC6), tosse, escarro, escala subjetiva de esforço de falta de ar (escala de Borg dispneia) e cansaço de membros inferiores (escala de Borg MMII). As variáveis que apresentaram distribuição normal foram os sinais SPO2 (p = 0,247) e TC6 (p = 0,499), além da tosse (p = 0,063). Para comparação de médias dessas variáveis foi aplicado o teste T de student. As variáveis que apresentaram distribuição não-normal, foram a escala de Borg dispneia (p = 0,031), escala de Borg MMII (p = 0,036) e escarro (p = 0,008). Para essas utilizou-se o teste de Wilcoxon. Observou-se que 30,4% dos pacientes tinham idade entre 60 e 64 anos, e que 62,5% dos doentes eram do sexo masculino. Houve melhora em todos os desfechos dos sintomas estudados após o PRP, com a percepção da dispneia passando depouca para muito pouca (2,79 vs 1,12), Borg de MMII de pouca para pouquíssima, quase nada (2,2 vs 0,57), a percepção da tosse passou de muito forte para forte (6,38 vs 5,31) e o escarro passou de média percepção para pouca percepção (3,57vs 2,43).Quanto aos sinais, houve melhora na saturação periférica de oxigênio (92,77% vs 94,23%) e melhora na distância percorrida no teste de caminhada de seis minutos (354,70m vs 410,05m). A percepção dos pacientes quanto ao impacto do PRP nas AVD’S também foi positiva, com enfoque em andar dentro de casa (100% vs 27%). O programa de reabilitação pulmonar aqui considerado, com enfoque no treinamento físico, e realizado de forma criteriosa, foi eficaz na promoção do aumento da saturação periférica de oxigênio e da distância percorrida no teste de caminhada de seis minutos, bem como na redução dos sintomas de dispneia e cansaço dos membros inferiores, contribuindo para melhorar a qualidade de vida dos pacientes.