SÍNDROME DO ANTICORPO ANTIFOSFOLÍPIDE E ESPONDILOARTRITE AXIAL: RELATO DE CASO
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Resumo
INTRODUÇÃO: A Síndrome do Anticorpo Antifosfolípide (SAF) é uma desordem autoimune caracterizada pela presença de anticorpos antifosfolípides que favorecem fenômenos trombóticos venosos e arteriais. Já a espondiloartrite axial é uma doença inflamatória crônica que acomete a coluna vertebral e as articulações sacroilíacas, gerando dor lombar inflamatória e rigidez progressiva. A coexistência dessas doenças é rara e pouco documentada, representando um desafio diagnóstico e terapêutico relevante. OBJETIVO: Este trabalho buscou relatar um caso clínico de sobreposição entre SAF venosa primária e espondiloartrite axial do subtipo espondilopsoríase, discutindo suas fisiopatologias, os principais achados clínicos, abordagens diagnósticas, estratégias terapêuticas, suas implicações práticas e propor futuras áreas de pesquisa; METODOLOGIA: foi realizado um estudo descritivo e qualitativo do tipo relato de caso, com coleta de dados através de entrevistas, revisão de prontuários, exames laboratoriais e estudos de imagem, além de uma revisão da literatura nos últimos cinco anos. Os dados foram analisados detalhadamente para identificar eventos clínicos, diagnósticos e intervenções terapêuticas, comparando-os com a literatura existente. PRINCIPAIS SINTOMAS E ACHADOS: A paciente, mulher de 41 anos, apresentava lombalgia inflamatória crônica, uveíte anterior recorrente, entesopatias, episódios prévios de tromboembolismo pulmonar e trombose ilíaca esquerda. Exames laboratoriais revelaram positividade persistente para anticoagulante lúpico e anticardiolipina IgM, além de HLA-B27 positivo. As imagens evidenciaram sacroileíte bilateral ativa e inflamação em coluna cervical. DIAGNÓSTICOS, INTERVENÇÕES TERAPÊUTICAS E RESULTADOS: O diagnóstico foi confirmado conforme critérios ASAS/EULAR para espondiloartrite e critérios de Sydney para SAF. Foi instituída anticoagulação plena com varfarina, enoxaparina e rivaroxabana, além de imunossupressores e imunobiológicos (golimumabe, secuquinumabe, upadacitinibe e infliximabe). Houve resposta terapêutica parcial, com manutenção de dor crônica, exigindo uso de opioides. CONCLUSÃO: a sobreposição entre SAF e espondiloartrite requer vigilância diagnóstica precoce, individualização terapêutica e seguimento multidisciplinar. O caso ressalta a ausência de diretrizes específicas para essas associações, reforçando o papel dos relatos clínicos na construção do conhecimento e na orientação de condutas futuras.