SUBDIAGNÓSTICO DO TRANSTORNO OPOSITOR DESAFIADOR EM PACIENTES COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA: UMA REVISÃO INTEGRATIVA
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Resumo
Introdução: O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento com etiologia multifatorial e prevalência crescente, frequentemente associada a comorbidades. Entre estas, o Transtorno Opositor Desafiador (TOD) destaca-se pela sobreposição sintomática, o que impõe desafios significativos ao diagnóstico diferencial e ao manejo clínico. Objetivo: Sintetizar as evidências científicas disponíveis na literatura acerca da prevalência, dos determinantes e dos mecanismos relacionados ao subdiagnóstico do Transtorno Opositor Desafiador em indivíduos diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista. Métodos: Revisão integrativa da literatura estruturada conforme as recomendações PRISMA. As buscas foram realizadas nas bases de dados PubMed, BVS e Cochrane Library, utilizando descritores DeCS/MeSH em português e inglês. Os critérios de elegibilidade incluíram artigos originais publicados entre 2020 e 2025. A amostra final consistiu em 13 estudos, submetidos à análise qualitativa e descritiva. Resultados: A prevalência de TOD em pacientes com TEA foi estimada em 24%, elevando-se para 62% em casos de comorbidade com o TDAH, o qual atua como preditor independente. Os principais fatores que contribuem para o subdiagnóstico incluem a sobreposição de sintomas como irritabilidade, inflexibilidade cognitiva e desregulação emocional, muitas vezes atribuídos exclusivamente ao TEA. Clinicamente, o TOD foi apontado como o principal preditor de estresse parental, superando os sintomas nucleares do autismo. Observou-se ainda que trajetórias de desenvolvimento distintas entre gêneros dificultam a identificação precoce em meninas. Conclusão: O subdiagnóstico do TOD em indivíduos com TEA é um fenômeno prevalente decorrente da complexidade transdiagnóstica e da rigidez dos limiares diagnósticos. A identificação correta dessa comorbidade é essencial para evitar o tratamento inadequado e para implementar intervenções personalizadas que melhorem a qualidade de vida do paciente.