TEA NO CONTEXTO BRASILEIRO: DESAFIOS E IMPACTOS DO DIAGNÓSTICO NAS DIMENSÕES MÉDICA E SOCIAL
Dados do documento
Resumo
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento que pode ser definido por déficits contínuos na comunicação e interação social, além de padrões restritos e repetitivos de comportamento. A compreensão do TEA vem evoluindo ao longo do tempo, com classificações que inicialmente eram baseadas em conceitos como idiotia e esquizofrenia, até o surgimento da definição moderna no DSM-V. A história mostra a necessidade de um manejo adequado, tendo em vista que, a forma como os indivíduos são diagnosticados, influencia suas experiências sociais e emocionais. Segundo a epidemiologia do TEA, pode-se notar um aumento significativo na prevalência, mas apenas com dados retirados do CDC, que analisa a população estadunidense nas últimas décadas, observando que aconteceu uma redução na disparidade diagnóstica quando analisa-se as classes raciais. Já no Brasil, a falta de dados confiáveis sobre a prevalência do TEA destaca a necessidade de estudos epidemiológicos nacionais, especialmente considerando que a condição está entre as principais causas de incapacidade em crianças. Fatores socioeconômicos têm um impacto significativo na saúde e no diagnóstico do TEA. Estudos indicam que crianças de famílias de maior renda tendem a ter diagnósticos mais precoces, enquanto aquelas de famílias de baixa renda enfrentam barreiras de acesso a serviços de saúde. Além disso, a prevalência do TEA é mais alta entre meninos, embora existam preocupações sobre o subdiagnóstico em meninas devido ao uso de estratégias de camuflagem social. O diagnóstico do TEA é clínico e baseado em critérios específicos do DSM-V, que exigem a presença de déficits na comunicação social e comportamentos restritos. A avaliação deve ser multidisciplinar e considerar a história de desenvolvimento da criança. A intervenção precoce é reconhecida como a abordagem eficaz, visando otimizar o desenvolvimento das habilidades sociais e comunicativas e promover a inclusão da criança na sociedade. A implementação de um plano terapêutico individualizado é essencial, envolvendo estratégias comportamentais e educacionais, além do apoio à família. A capacitação contínua dos profissionais de saúde é crucial para garantir um diagnóstico preciso e um manejo eficaz do TEA, promovendo um cuidado mais humanizado e inclusivo. Essa abordagem não apenas melhora a qualidade de vida da criança, mas também busca reduzir o estigma social associado ao transtorno, possibilitando uma maior inclusão e aceitação na sociedade.