TRATAMENTO FISIOTERAPÊUTICO ASSOCIADO À ESTIMULAÇÃO ELÉTRICA TRANSCRANIANA NÃO INVASIVA NAS ENXAQUECAS - UMA REVISÃO INTEGRATIVA
Dados do documento
Resumo
A enxaqueca é um distúrbio neurológico multifatorial cuja fisiopatologia envolve a hiperexcitabilidade do
sistema trigeminovascular, levando à liberação de neuropeptídeos inflamatórios, vasodilatação meníngea
e ativação de nociceptores, além da participação do córtex cerebral e do tronco encefálico na perpetuação
das crises. Diante da necessidade de tratamentos mais eficazes e com menor dependência de fármacos, a
estimulação elétrica transcraniana não invasiva (tDCS) destaca-se como uma ferramenta promissora, pois
modula a excitabilidade cortical e interfere diretamente na transmissão da dor. Paralelamente, a
fisioterapia tradicional atua no manejo da enxaqueca por meio de técnicas como terapia manual,
mobilização cervical, dry needling, fortalecimento muscular e estratégias de relaxamento, promovendo o
reequilíbrio biomecânico e a redução da sensibilização periférica. A presente pesquisa tem por objetivo
sintetizar as evidências disponíveis acerca da combinação entre técnicas fisioterapêuticas convencionais e
a tDCS no tratamento da enxaqueca, avaliando se essa abordagem integrada promove benefícios clínicos
superiores aos obtidos com cada intervenção isoladamente e analisando seus impactos na frequência,
intensidade e duração das crises, bem como nos mecanismos fisiológicos subjacentes à modulação da dor.
Trata-se de uma revisão integrativa, na qual foram utilizadas as bases de dados SciELO, LILACS e
PubMed para identificar estudos que abordam a associação entre tDCS e fisioterapia tradicional no
tratamento da enxaqueca. A análise dos artigos selecionados demonstra que ambas as abordagens
apresentam eficácia individual, mas que sua combinação proporciona efeitos complementares,
potencializando os benefícios clínicos. No entanto, observa-se que os estudos ainda são limitados
metodologicamente, apresentando heterogeneidade nos protocolos e falta de seguimento a longo prazo.
Conclui-se que, enquanto a fisioterapia convencional contribui para a prevenção e reabilitação funcional,
a neuromodulação promove um efeito analgésico mais imediato ao atuar na hiperexcitabilidade neuronal,
sugerindo uma abordagem integrada para o tratamento da enxaqueca. Apesar dos achados positivos, há
carência de ensaios clínicos robustos que padronizem a combinação dessas terapias, sendo necessárias
novas pesquisas para validar sua aplicabilidade clínica. A associação entre fisioterapia e neuromodulação
representa uma estratégia inovadora e promissora, capaz de otimizar o tratamento da enxaqueca, reduzir a
dependência de fármacos e melhorar a qualidade de vida dos pacientes acometidos por essa condição
debilitante.