USO INADEQUADO DE BENZODIAZEPÍNICOS NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA SOBRE RISCOS DE DEPENDÊNCIA E EFEITOS ADVERSOS
Dados do documento
Resumo
Introdução: O uso de benzodiazepínicos (BZD) é amplamente disseminado na prática clínica, especialmente na Atenção Primária à Saúde (APS), onde são comumente prescritos para transtornos como insônia e ansiedade. Embora eficazes a curto prazo, seu uso prolongado está associado a riscos significativos de dependência e eventos adversos. Objetivo: Esta revisão sistemática teve como objetivo analisar os riscos de dependência e os efeitos adversos relacionados ao uso inadequado de BZD na APS. Metodologia: A pesquisa foi realizada nas bases NCI/ PubMed, SciELO e LILACS, utilizando critérios baseados na estratégia PICO e nas diretrizes PRISMA. A revisão identificou 47 estudos que atendiam aos descritores estabelecidos na consulta da pesquisa. Desses, 37 foram removidos durante a etapa de triagem, sendo que 10 realizados entre 2016 e 2024 foram incluídos no presente estudo com diferentes delineamentos metodológicos, avaliados por meio do instrumento CASP. Resultados e Discussão: Os achados demonstram que o uso crônico de BZD é frequente na APS, sendo comum a ausência de reavaliação clínica. Foram identificadas consequências como dependência fisiológica e psicológica, prejuízo cognitivo, quedas, delírio e maior risco de demência. Além de falhas individuais, o uso inadequado é sustentado por fatores estruturais, como a escassez de protocolos clínicos e a sobrecarga dos profissionais. Apesar dos desafios, intervenções como programas de descontinuação gradual e estratégias motivacionais demonstraram-se eficazes e viáveis, mesmo em contextos de vulnerabilidade. Conclusão:Conclui-se que o uso inadequado de BZD configura um problema relevante de saúde pública, sendo imprescindível investir na capacitação dos profissionais, na implementação de protocolos baseados em evidências e na articulação com a rede de atenção psicossocial para a racionalização de seu uso na APS.