TCC2025

USO INADEQUADO DE BENZODIAZEPÍNICOS NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA SOBRE RISCOS DE DEPENDÊNCIA E EFEITOS ADVERSOS

Dados do documento

Autor(es)
Augusto de Araujo Castro; Lúcio Eugênio Cerqueira Lopes; Romulo Mendes de Souza
Orientador(es)
Ana Rachel Oliveira de Andrade
Tipo do documento
TCC
Ano de publicação
2025
Data de publicação
22 de janeiro de 2026
Nome do curso
Medicina
Nome da Unidade
Afya Parnaíba
Palavras-chave
Antidepressivos. Psicofármacos. Atenção Primária à Saúde. Perfil Epidemiológico.

Resumo

Introdução: O uso de benzodiazepínicos (BZD) é amplamente disseminado na prática clínica, especialmente na Atenção Primária à Saúde (APS), onde são comumente prescritos para transtornos como insônia e ansiedade. Embora eficazes a curto prazo, seu uso prolongado está associado a riscos significativos de dependência e eventos adversos. Objetivo: Esta revisão sistemática teve como objetivo analisar os riscos de dependência e os efeitos adversos relacionados ao uso inadequado de BZD na APS. Metodologia: A pesquisa foi realizada nas bases NCI/ PubMed, SciELO e LILACS, utilizando critérios baseados na estratégia PICO e nas diretrizes PRISMA. A revisão identificou 47 estudos que atendiam aos descritores estabelecidos na consulta da pesquisa. Desses, 37 foram removidos durante a etapa de triagem, sendo que 10 realizados entre 2016 e 2024 foram incluídos no presente estudo com diferentes delineamentos metodológicos, avaliados por meio do instrumento CASP. Resultados e Discussão: Os achados demonstram que o uso crônico de BZD é frequente na APS, sendo comum a ausência de reavaliação clínica. Foram identificadas consequências como dependência fisiológica e psicológica, prejuízo cognitivo, quedas, delírio e maior risco de demência. Além de falhas individuais, o uso inadequado é sustentado por fatores estruturais, como a escassez de protocolos clínicos e a sobrecarga dos profissionais. Apesar dos desafios, intervenções como programas de descontinuação gradual e estratégias motivacionais demonstraram-se eficazes e viáveis, mesmo em contextos de vulnerabilidade. Conclusão:Conclui-se que o uso inadequado de BZD configura um problema relevante de saúde pública, sendo imprescindível investir na capacitação dos profissionais, na implementação de protocolos baseados em evidências e na articulação com a rede de atenção psicossocial para a racionalização de seu uso na APS.