TCC2025

VÍCIO DE CONSENTIMENTO EM CARTÕES DE CRÉDITO RMC E RCC POR IDOSOS ANALFABETOS HIPERVULNERÁVEIS

Dados do documento

Autor(es)
Joele Barros da Rocha; Enrico Marques dos Santos; Lara Siqueira Silva Coelho
Orientador(es)
Tatiana Mendes Caldas Castelo Branco
Tipo do documento
TCC
Ano de publicação
2025
Data de publicação
21 de janeiro de 2026
Nome do curso
Direito
Nome da Unidade
Afya Parnaíba
Palavras-chave
Vício de consentimento. Hipervulnerabilidade. Práticas abusivas. Proteção ao consumidor.

Resumo

O estudo aborda o vício de consentimento na contratação de cartões de crédito

consignados (RMC – Reserva de Margem Consignável/RCC – Reserva de Crédito Consignado)

por idosos analfabetos, destacando a vulnerabilidade extrema desse grupo no mercado

financeiro. A pesquisa justifica-se pela alta taxa de analfabetismo entre idosos no Brasil e pela

incidência de práticas abusivas por parte de instituições financeiras, que resultam na celebração

de contratos sem a plena compreensão dos consumidores. De acordo com dados da PNAD

Contínua divulgados pelo IBGE em 2023, 15,4% dos idosos brasileiros são analfabetos, o que

representa mais de 5 milhões de pessoas com baixa ou nenhuma compreensão de documentos

escritos. A Serasa Experian, por sua vez, identificou aumento de 33% na inadimplência entre

pessoas com mais de 60 anos entre 2019 e 2023. Esses dados confirmam a extrema

vulnerabilidade dessa população, que está sujeita a práticas abusivas no crédito consignado. A

promulgação da Lei nº 14.181/2021, conhecida como Lei do Superendividamento, reforça essa

preocupação ao introduzir medidas específicas para proteção de consumidores

hipervulneráveis. O trabalho explora o conceito de vulnerabilidade e hipervulnerabilidade no

Código de Defesa do Consumidor (CDC), evidenciando como esses princípios jurídicos

fundamentam a necessidade de maior proteção para idosos analfabetos. Além disso, discute os

vícios de consentimento, como erro, dolo e coação, que comprometem a legitimidade dos

contratos de crédito consignado. Por meio da análise de jurisprudência, o estudo apresenta

dados sobre a recorrência dessas práticas abusivas e examina decisões judiciais que reconhecem

a fragilidade dos idosos nessas contratações. Por fim, propõe medidas regulatórias e

mecanismos de proteção, incluindo maior fiscalização das instituições financeiras e estratégias

para garantir que o consentimento seja informado e válido. O trabalho contribui

significativamente para o debate jurídico e social sobre direitos do consumidor, sugerindo

políticas públicas e regulamentações mais rigorosas para proteger consumidores

hipervulneráveis de práticas abusivas e garantir maior equidade nas relações contratuais.