VIOLÊNCIA À MULHER NO PERÍODO GESTACIONAL: UMA CONTRIBUIÇÃO DA ENFERMAGEM A SAÚDE DA FAMÍLIA.
Dados do documento
Resumo
A violência contra gestante segue uma dinâmica que a inclui como um dos maiores problemas sociais enfrentados pela população feminina no Brasil, e agrava-se pelo fato de a maioria das agressões partirem do próprio parceiro. Dessa forma, o presente estudo teve como objetivos analisar a violência em mulheres grávidas atendidas na estratégia de saúde da família, levantar os dados sociodemográficos e obstétricos das gestantes, levantar dados da violência sofrida quanto ao tipo, o agressor, frequência das agressões (antes, durante e após a gravidez) e área do corpo mais atingida, e elaborar uma cartilha para os profissionais que atuam na atenção à saúde da família. Trata-se de estudo de natureza descritiva, com abordagem quantitativa, do tipo transversal, realizado na Estratégia de Saúde da Família, com a participação de 306 gestantes. A coleta de dados se deu por meio de questionário contendo dados sociodemográficos, obstétricos e da ocorrência de violência e pela aplicação do instrumento Abuse Assesment Screen, durante a consulta de pré-natal, no período de maio a julho de 2012. Os dados foram tratados pelo programa estatístico Statistical Package for the Social Sciences 12.0 for Windows. Para verificação da associação entre violência na gestação e as variáveis dependentes, variáveis socioeconômicas e variáveis gestacionais utilizou-se o teste do qui-quadrado, considerando um valor de significância de ≤ 0,05. Os resultados mostram que do total das pesquisadas 26,5% informaram violência em algum momento na vida e 7,2% relataram episódio de violência na gestação. Das mulheres com episódio de violência no período gestacional, 50% tinham até 25 anos de idade, acima de 8 anos de estudo (68,2%), com companheiro (59,1%), renda familiar de até um salário mínimo (81,8%) e episódio de violência na vida (72,7%). Houve associação significativa e chance de ocorrer violência na gestação entre mulheres com episódio de violência na vida (72,7%) e ter companheiro (59,1%). O estudo mostra elevada prevalência e a continuidade da violência sofrida por mulheres em algum momento da vida e durante a gestação. Diante dos resultados encontrados, é importante que profissionais de saúde adotem medidas para prevenção das diversas formas de violência, mais especificamente durante o período gestacional, a partir do momento da 1ª consulta até o puerpério, não descartando outros momentos da vida da mulher.