VIVENDO NAS RUAS
Dados do documento
Resumo
A crescente visibilidade da população em situação de rua no Brasil configura um fenômeno social complexo, expressão de dinâmicas estruturais de desigualdade e das contradições do sistema capitalista. Embora as políticas públicas priorizem majoritariamente o restabelecimento dos vínculos familiares, este estudo qualitativo e exploratório questiona essa centralidade, buscando compreender como a função de ancoragem, proposta por Jorge Broide, contribui para a formação de novos laços significativos e para a sustentação subjetiva de pessoas em situação de rua. A pesquisa utiliza análise documental de publicações do Google Notícias, identificando três formas principais de ancoragem: a afetiva, relacionada aos vínculos com animais; a comunitária, construída em práticas coletivas; e a institucional,ligada a serviços de acolhimento e políticas públicas, como o Centro Pop. Os resultados indicam que esses vínculos alternativos operam como estratégias de resistência, cuidado e pertencimento, reforçando o conceito de ancoragem como fundamental para a sustentação psíquica e a reinscrição social, sugerindo a necessidade de intervenções que considerem os laços singulares promovidos por cada sujeito.